RU do Parquetec: entre avanços, reclamações e a cobrança por mudanças

O Restaurante Universitário apresentou melhorias operacionais nos últimos meses, mas as principais reclamações dos estudantes continuam relacionadas à qualidade das refeições e à quantidade de proteína servida. Após reuniões com a empresa, o fiscal do contrato e a Direção do Campus, ficou acordada uma nova tentativa de diálogo. Caso não haja avanços concretos, o DCE defende a mobilização estudantil para cobrar melhorias no serviço.

Francisco Del'Gaudio

Nos últimos anos, o restaurante tem sido alvo constante de reclamações por parte da comunidade acadêmica. Relatos envolvendo qualidade da alimentação, quantidade de proteína servida e condições gerais das refeições tornaram-se frequentes entre os estudantes que utilizam o serviço diariamente.

Um dos relatos recebidos pelo DCE foi encaminhado por um estudante do segundo ano de Engenharia Elétrica do CECE. Segundo ele, durante o jantar, percebeu a presença de um material marrom e crocante misturado aos alimentos. O estudante informou que comunicou a situação à gerência do restaurante, que realizou o registro da ocorrência.

Relato registrado por estudante durante refeição no Restaurante Universitário.

Não sei se é aqui que eu devo fazer reclamação, assim já falei com a gerente da cafeteria, ela tirou foto ali pra mostrar, mas eu tava comendo aqui minha janta, né, no restaurante Universitário. Aí, assim, eu tava comendo, né, eu como tudo misturado, então foi tudo de uma vez. Aí eu, mastigando, senti algo mais crocante, aí eu fui tirar assim, ó, marrom, estranhei, e daí eu fiz assim, tipo, olhei e pensei, será que isso aqui é terra? Eu esfreguei ele na minha bandeja, e assim, saiu esse marrom, né, então, na minha percepção isso aí é terra, e ela tava, tipo, crocante. Já falei ali com a gerente e tal, mas, né, só pra deixar aqui o registro, desde que eu encontrei terra na comida hoje.

É importante destacar que a empresa atualmente responsável pelo restaurante não é a mesma que operava o serviço durante episódios anteriores amplamente divulgados pela imprensa. Desde a troca da prestadora, melhorias foram percebidas em diferentes aspectos do funcionamento do restaurante.

Questões relacionadas à limpeza, organização das filas, disponibilidade de talheres e comunicação com os usuários apresentaram avanços ao longo dos últimos meses. Segundo relatos de representantes estudantis que participaram das reuniões, as gerentes responsáveis pelo restaurante têm demonstrado disposição para ouvir as demandas apresentadas e buscar soluções dentro das possibilidades disponíveis.

Apesar disso, a principal insatisfação dos estudantes permanece concentrada na alimentação servida.

Ao longo dos últimos meses, estudantes relataram situações envolvendo baixa quantidade de proteína, qualidade considerada insuficiente das refeições e episódios registrados pelos próprios usuários. Entre os relatos recebidos por representantes estudantis estão refeições com proteínas em quantidade considerada inadequada, além de críticas recorrentes à composição de alguns pratos servidos.

Registro enviado por estudantes durante o almoço no RU.

Diante dessas reclamações, os Centros Acadêmicos de Engenharia Mecânica, Engenharia Elétrica e Ciência da Computação iniciaram uma série de reuniões com representantes da empresa responsável pelo restaurante. Essas reuniões resultaram em melhorias operacionais importantes, especialmente em questões relacionadas ao atendimento e à logística do serviço.

Entretanto, para o Diretório Central dos Estudantes (DCE), os problemas apontados pelos estudantes vão além das questões operacionais.

Por esse motivo, o DCE passou a acompanhar diretamente as discussões. Segundo a entidade, as reuniões realizadas evidenciaram que muitas das demandas relacionadas à qualidade da alimentação ultrapassam a esfera de atuação dos funcionários presentes no restaurante e envolvem decisões relacionadas ao fornecimento dos alimentos, à estrutura disponível e à gestão do contrato.

Encontro de plástico dentro da proteína servida

Feijoada servida como proteína

Buscando compreender melhor a situação, o DCE realizou uma análise do contrato firmado entre a universidade e a empresa responsável pelo serviço. Posteriormente, juntamente com os Centros Acadêmicos, participou de uma reunião com o fiscal do contrato, Fabrício.

Na ocasião, foram discutidos temas como a quantidade de proteína servida nas refeições, a composição nutricional dos pratos oferecidos e a execução das obrigações previstas contratualmente. A reunião também permitiu esclarecer dúvidas sobre o funcionamento do contrato e os mecanismos institucionais disponíveis para fiscalização e cobrança de melhorias.

Após essa etapa, o assunto foi levado à Direção Geral do Campus. Em reunião com o Diretor-Geral, Sérgio Fabriz, o DCE apresentou sua avaliação de que a insatisfação estudantil permanece elevada e que as medidas adotadas até o momento ainda não produziram os resultados esperados pelos usuários do restaurante.

73.9% dos alunos acreditam receber uma proteína de péssima qualidade e/ou pouca quantidade

Nesse ponto surgiu uma divergência de posicionamento entre as entidades envolvidas.

Os Centros Acadêmicos de Computação e Engenharia Mecânica, juntamente com o fiscal do contrato, defenderam a continuidade das negociações e das tentativas de solução por meio do diálogo com a empresa responsável.

O DCE, por sua vez, manifestou entendimento diferente. Para a entidade, a recorrência das reclamações demonstra que o problema exige medidas mais incisivas caso não haja melhorias concretas nos próximos meses.

Durante a reunião, ficou acordada a realização de uma nova rodada de discussões com a empresa. Segundo o DCE, o Diretor-Geral concordou com a tentativa de buscar avanços por meio desse novo encontro.

Ao mesmo tempo, a entidade informou que, caso os estudantes continuem sem perceber melhorias efetivas após essa nova etapa de diálogo, será iniciado um processo de mobilização estudantil para discutir coletivamente os próximos encaminhamentos.

Dados analisados pelo DCE apontam que o contrato prevê o pagamento de R$ 18,35 por refeição servida. Considerando uma média aproximada de 45 mil refeições mensais vinculadas à Unioeste, o volume financeiro associado ao contrato ultrapassa R$ 825 mil por mês, sem considerar outros serviços prestados pela empresa.

Para o DCE, esses números reforçam a necessidade de que a qualidade do serviço oferecido esteja à altura da importância que o Restaurante Universitário possui para a comunidade acadêmica.

A discussão sobre o RU vai além da comida servida diariamente. Ela envolve permanência estudantil, acesso à educação e qualidade de vida para milhares de estudantes.

Enquanto as negociações seguem acontecendo, uma coisa parece consensual entre os alunos que utilizam o restaurante: a expectativa por mudanças continua tão presente quanto as reclamações que motivaram todo esse processo.

O RU é um direito estudantil. E, justamente por isso, continua sendo objeto de debate, fiscalização e cobrança por parte da comunidade acadêmica.